“A auto-observação traz o homem para a realização da necessidade de auto-mudança. E ao observar-se, um homem percebe que a própria auto-observação traz certas mudanças aos seus processos internos. Ele começa a entender que a auto-observação é um instrumento de auto-mudança, um meio de despertar.”
– G. I. Gurdjieff
Quantas vezes já paraste para te observar ao espelho? E para te apreciar? Ou para reconhecer algumas assimetrias? Com que frequência o fazes? E o que fazes a seguir com esses insights?
O mais certo é que tomes algum tipo de iniciativa que promova o teu bem-estar físico (p. e. beber mais água diariamente ou comer mais fruta), ou talvez entres numa espiral de critica mental.
E, olhares para dentro de ti próprio/própria, quantas vezes o fazes por semana? E por mês? E ao ano?
Quantas vezes te dás ao luxo de parares para refletires no teu “eu pessoal”? Ou na razão pela qual reagiste daquela forma em determinada situação pela qual passaste recentemente? Na razão pela qual agiste a determinado evento da forma como agiste? Na repercussão que essas mesmas reações possam ter tido em ti e nos outros?
E na razão dessa emoção e no que está por detrás dela? Na verdadeira razão por detrás desse comportamento? Na verdadeira razão pela qual te sentes bloqueado perante esse teu atual obstáculo na vida? Nos filtros pessoais e sociais que desenvolveste/adquiriste? Ou até mesmo no quanto evoluíste no campo pessoal nos últimos 1, 3 e 5 anos? No onde estavas e no onde agora estás?
O mais normal e natural de acontecer é que te observes e foques mais nos aspetos físicos (pois é o que observamos mais regularmente) e profissionais, do que nos mentais/pessoais ou nas razões pelas quais pensamos, sentimos e atuamos de determinada forma, juntamente com os comportamentos a si associados.
Não controlamos as nossas emoções, mas os nossos comportamentos sim. Por essa razão, o nosso crítico mental surge mais vezes, pois damos mais liberdade à “Mente Pensante”, da qual não controlamos, do que à “Mente Observadora”. A nossa mente pensante está quase sempre no controlo e sempre muito ativa, não importa o que estás a fazer.
No entanto, o nosso mental, espiritual e emocional tendem a definir muito mais e melhor a qualidade da nossa vida, em todos os aspetos, e damos-lhe muito pouco “tempo de antena”.
Por essa razão, e em grande parte do tempo, estamos numa espécie de “modo piloto automático”. E quando assim é, não nos damos à oportunidade de entendermos a razão de sermos quem somos e fazermos o que fazemos, como o fazemos e porque o fazemos ou fizemos.
O autoconhecimento e a auto-observação, são assim, duas das nossas melhores e mais eficazes ferramentas que temos diariamente à nossa disposição para nos compreendermos e ajudar a atingir o ideal de pessoa que pretendemos ser. Então quando descobrimos o nosso tipo de personalidade do eneagrama, descobrimos algo mais acerca do nosso “eu” original total, pois nos permite compreender mais acerca das motivações inconscientes pelas quais atuamos, além de poder servir também para aprender e produzir uma mudança positiva na nossa vida. É um completo e verdadeiro mapa, que podes e deves ter sempre à mão. Facilita em muito a auto-observação e o nosso próprio crescimento e desenvolvimento pessoal.
Separar a nossa mente observadora da mente pensante é um hábito que necessita de prática. Mas assim que começares a fazê-lo, sentirás que ficas menos preso às emoções e pensamentos diários. Terás mais controlo da tua vida diária interna e sentir-te-ás melhor com ela. Lembra-te, a vida não te está a acontecer a ti , está a acontecer para ti!!
Então, de hoje em diante, quanto tempo passarás tu a dedicar à autorreflexão, à auto-observação e ao autoconhecimento? E com que frequência? Qual o local mais sossegado onde podes estar melhor concentrado em ti? De que forma positiva vais usar esses insights?
Se chegaste até aqui, então, desafio-te a dares agora mesmo a ti próprio uns momentos para pensares sobre ti usando a Mente Observadora, a explorares esse conhecimento e como podes melhorar o teu dia/semana com os insights que te surgiram.